Madre Teresa, atendimento de urgência. Sentado meio de lado, esperei até ser chamado por um médico de dedos grossos. Fiquei com os olhos fixos naqueles dedos que batiam na mesa enquanto ele me perguntava o que aconteceu.
- Eu estou com uma dor... é... uma dor...é... acho que na região anal.
Ele pediu que eu abaixasse as calças até o joelho e virasse de lado. Qualquer posição já seria incômoda, mas ficar deitado de lado, com a bunda de fora, confesso que me deixou com mais dor ainda. Além da dor física, uma chacina moral pensando naqueles dedões. Mas preciso confessar, ele foi muito gentil. Apenas levantou a minha banda direita, como quem carrega um saco de arroz. Observou e foi enfático:
- Fissura anal. Vou te receitar alguns remédios e amanhã estará novo.
Mas não estava. Depois de tomar buscopan "na veia" e utilizar a medicação, no dia seguinte estava ainda mais imóvel. Uma estátua com dor no cu. Fui obrigado a recorrer a outros médicos, especialistas no rabo alheio, os proctologistas. O que faz alguém virar proctologista? Imagino que seja algo sádico se divertir com o cu dos outros. Ninguém vai ao proctologista para deixar o cu mais bonito, deixar a pele da região mais hidratada ou fazer uma plástica. As pessoas só recorrem a esses especialistas quando estão com o cu doendo. E quando chega esse momento eles se divertem. Cutucam, cortam e, no fundo, literalmente, devem rir demais por cutucar o orgulho alheio.
Chegando ao outro hospital precisei de uma cadeira de rodas, porque não conseguia andar. Passeei de cadeirinha e tive prioridade de atendimento. Pois é, pelo menos no hospital eles sabiam a importância que tinha o meu cu! Relatei a história ao meu novo médico, de dedos grossos e unhas em crescimento. Ele foi frio e insensível.
- Por favor, fique de quatro e empine o seu quadril.
Por um momento eu pensei em sair correndo, reclamar da vida, xingar. Mas eu mal conseguia me mover. Aceitei. Pomada anestésica, Gilette, luva de borracha e um dedo. Trocaria cinco chutes no saco por aquela dor e aquela humilhação. Cutuca aqui, ali e, na parte superior esquerda ele parou, pegou e disse baixinho “achei”.
No momento que ele encontrou o problema entrou na sala um outro médico. Olha aqui, acho que temos um abscesso. O outro médico, sem o menor contrangimento colocou a luva também e sem perguntar o meu nome, me chamar para jantar ou perguntar se gosto de cinema, repetiu o procedimento do médico anterior. Humilhação em dobro, dor em dobro.
- Pronto, pode descer.
Desci da mesa minúsculo e cabisbaixo, mas com a certeza que tomaria alguns poucos remédios e tudo estaria prontamente solucionado.
- Veja bem, você tem um abscesso anal em estágio avançado e precisa fazer uma cirurgia.
Sem chance, pensei. Mas mudei de ideia na próxima frase do masoquista de jaleco.
- Se você não operar ainda hoje, você pode ter necrose do seu escroto.
Em síntese. Ou eu entrava na faca ou perderia o meu saco. Aceitei prontamente, sem orgulho. Antes uma cutucada no fiofó que perder o saco.
Comentário: meu orgulho masculino quase me fez desistir da parte II, mas como já comecei a contar vou terminar.
4 comentários:
Desculpe, mas sua desventura me fez rir bastante. Melhoras para o seu cú.
Então é essa a história... mas ainda espero OUVÍ-LA! Deve ser mais, digamos, emocionante...
Melhoras para seu cú ehehehehe
http://danilofutebol.blogspot.com/
melhoras para seu cu kkkkk
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